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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Radiohead - Exit Music (For a Film)


Momento deprê no Song Sweet Song! :'(

Não, relaxem! Nada de mal anda acontecendo, a vida continua bela, e sempre há motivos para sorrir! Então, NÃO, eu não estou postando uma música bem depressiva por causa de algo pessoal. A questão é que eu já tenho quase dez músicas do Radiohead postadas no blog e ainda não falei sobre EXIT MUSIC (FOR A FILM), que para mim é uma das melhores da banda! E apesar de eu ter certeza que não é todo mundo que curte uma melodiazinha down, eu creio que uma hora eu teria que postar essa aqui, e será AGORA!

Engraçado. Muitas pessoas consideram The Smiths uma banda deprê (mesmo sendo aquela típica construção: melodia feliz com letra pra baixo). Certa vez minha namorada escreveu pra mim em uma mixtape de aniversário que "se você considera Smiths deprê é porque você já ouviu How Soon Is Now". O fato é que, pra mim, deveria ser a mesma coisa com Radiohead: se você já ouviu Exit Music, você os considera uma banda fossa! Mas não é assim, poucos conhecem essa música, e mesmo assim tem esse conceito sobre eles! Se você é uma dessas pessoas, quando você der play agora, meu amigo... você vai subir Radiohead em um nível no seu "Suicide Bands Ranking"!
Pois Radiohead é minha banda favorita (sério mesmo? nenhum leitor jamais percebeu isso no blog!). E considero Exit Music a mais fossa deles! Mesmo não sendo um expert, eu tenho parâmetros pra dizer isso, pelo menos, sim?

Certo, à música! Exit Music tem uma base em violão, com alguns sons naturais ao fundo, enquanto Thom Yorke canta os versos iniciais com uma voz em forma de lamento. Por pertencer ao Ok Computer, o violão acaba sendo atravessado por outros instrumentos mais eletrônicos, como distorções e efeitos barulhentos, que aparecem justamente em um momento que a música cresce, com bateria entrando, voz se intensificando, e tudo aquilo que cria na música um clímax, que é de arrepiar.
A letra pode ser vista como um casal pronto para fugir de casa juntos. Frases no início como "Acorde; se arrume; seque suas lágrimas; vamos escapar" nos leva a entender isso, além de dizer "antes que seu pai nos ouça e antes que o inferno exploda". Ou seja, é como se eles tivessem fugindo em uma relação ilegal, que vai contra a vontade do pai dela. Meio Romeu e Julieta. E narra alguns momentos um pouco desesperador, parecendo uma descrição de alguém que vive no frio da rua.
Por fim, é claro, no ápice da canção, algo mais agressivo, e a emblemática frase que encerra a música: "We hope that you choke"* (Esperamos que você fique sufocado), o que combina inteiramente com a música, já que nesse momento você está se sentindo sufocado de fato!

Apesar de o nome sugerir que essa seja uma canção de fim de filme, algo para os créditos, eu creio que combina com qualquer momento no auge dele; Aquela cena dramática, que explode em raiva, que normalmente torna o filme marcante. Pois para o Ok Computer, Exit Music é um desses momentos marcantes.


*a frase "We hope that you choke" está na contracapa do álbum Ok Computer, um pouco oculta, logo ao lado da inscrição "1=2". (!)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Radiohead - Lucky


Devo trocar o nome do blog para "Song Sweet Radiohead Song", sim? Por que não?

Uma vez mais, El Cabeza de Rádio no blog. E logo depois de falar de um clássico do Smashing Pumpkins, vamos retomar ao maior clássico do Radiohead, o álbum OK COMPUTER. Clássico é bom e todo mundo gosta.

Acompanhe comigo; do Ok Computer já temos posts sobre Karma Police e No Surprises, duas canções muito famosas, ousaria dizer que são as MAIS famosas da banda, que lançou um ótimo álbum esse ano, mas dados estatísticos de sites como o Last.fm indicam que Karma Police segue sendo a mais ouvida deles, mesmo sendo de 1997.
Em um fórum de Radiohead me pediram para falar de mais músicas do OkC. Alguns sugeriram Paranoid Android, mas resolvi falar sobre um coadjuvante do cd, já que a sugerida divide os refletores com as outras músicas citadas como uma das principais deles. Escolhi então a viajante LUCKY.

Lucky, uma vez mais, é uma música com letra difícil, que chega a ter interpretações opostas. Uma delas diz que é a canção mais otimista de Thom Yorke, e outra diz que a cada momento que o 'narrador' diz algo bom ele está sendo irônico. Fato é que são diversas frases soltas compondo a música, como "Sarah, me mate de amor", ou "hoje será um dia de glória" ou "me tire da queda do avião". E fica mais difícil saber do que se trata quando você vê a entrevista de Thom sobre Lucky: "as melhores obras dos artistas são aquelas que o resultado final não diz nada daquilo que o artista gostaria de dizer". Ou seja, nem o Thom deve saber se é uma letra de fato feliz.
Mas podemos afirmar, pelo menos, algo sobre a melodia: esta sim é muito triste e bonita. Do jeito que eu gosto (e imagino que alguns leitores também). No refrão vem o auge da melodia, uma guitarra surge ao fundo em um belo riff e torna o clima desesperador, junto com o pedido do vocalista para ser retirado do avião. Aliás, há uma interpretação que diz que o eu-lírico é um terrorista, já que a letra envolve queda de avião, dia glorioso, pedido de morte... Hahaha, que bobagem!

A grande curiosidade da música é que, dentre as frases soltas, há: "O chefe de estado me chamou, mas eu não tenho tempo para ele". Certo dia de 2005, oito anos após o lançamento do cd, Tony Blair - o primeiro ministro britânico - convidou Thom Yorke para participar de uma discussão sobre o aquecimento global. Adivinhem? Ele recusou! Thom disse que Blair não tinha credenciais para falar sobre o meio ambiente...
Grande Thomas!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Radiohead - Faust Arp


Muita gente que conhece pouco Radiohead acredita que todas suas músicas são repletas de complexidade e efeitos manipulados, o que torna quase impossível reproduzir uma canção deles, seja com uma banda ou sozinho. Hoje estou aqui para mudar a opinião dessas pessoas.

Em verdade, os dois primeiros álbuns da banda (Pablo Honey e The Bends) já são coletâneas de um Radiohead mais simplista. Guitarra, baixo, bateria, violão, a voz de Thom Yorke. Radiohead era uma boa banda de rock, mas não foram esses álbuns que fizeram seu nome. Claro, vale à pena ouvi-los, The Bends é um dos meus favoritos, e no blog temos um clássico do Pablito: Creep. Então você deve pensar "ok, mas sendo o início de carreira da banda, nada mais esperado do que fórmulas simples que a banda "abandonou" conforme foi adquirindo maturidade, sim?". Não exatamente. É óbvio que a partir do Ok Computer a banda foi se entregando aos elementos eletrônicos e foi adquirindo outras sonoridades mais difíceis, principalmente após o Kid A, chegando a um álbum praticamente de Dubstep, que foi esse último, o Kings of Limbs. No entanto, há canções simples e inspiradas nesses últimos álbuns também. No exemplo de hoje, a música FAUST ARP.

Faust Arp é do penúltimo álbum da banda, o já comentado aqui centenas de vezes, IN RAINBOWS. Lançado em 2008, aonde alguém pode pensar que a banda estava entregue à esses elementos eletrônicos e às canções irreproduzíveis. Mas então, dê play em Faust Arp. Um dedilhado de violão. Ou melhor, dois minutos de um belo dedilhado de violão. E Thom Yorke cantando por cima a aflição de estar preso a algo que ele não consegue mais aguentar. Quer mais simplicidade que isso? Não estou falando que é uma música fácil de tocar, veja bem, Elliott Smith praticamente só tinha músicas simples de violão e quem consegue tocar Elliott Smith é um gênio. Só estou dizendo que Faust Arp derruba muita gente que não imagina Radiohead fazendo uma música desse tipo, que provavelmente só tinha Fake Plastic Trees como exemplo.

A letra de Faust Arp fala sobre alguém que vive uma rotina ou um relacionamento que não está indo bem. Ele tenta prosseguir com essa vida ou pessoa, mas as coisas não estão dando certo, então procura uma saída para essa situação. Não é uma letra fácil, eu mesmo não compreendi se ele quer sair do trabalho, do país, da vida, ou de um casamento que seja. Se alguém quiser me ajudar, a letra está aqui.

E aí, gostou dessa face do Radiohead? Na minha opinião...... eu preciso mesmo falar a minha opinião?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Radiohead - Reckoner


Que o Radiohead lançou um album novo no último dia 18 de fevereiro, todo mundo já sabe, o já-querido The King of Limbs. Mas não é sobre o disco novo o assunto de hoje. Vamos retomar o já anfitrião do blog: IN RAINBOWS, o sétimo album dos cabeças-de-rádio.

Quando falei dessa obra, lá pelo fim de 2009 (com os posts sobre Nude e All I Need), comentei muito da minha percepção pessoal sobre o álbum, além da recepção do público. Melancólico como sempre, In Rainbows é carregado de emoções, desde o som do baixo repleto de beleza, aos falsetes de Thom Yorke, às metáforas e letras depressivas, enfim. Muita gente, por compará-lo com álbuns anteriores do Radiohead (como Ok Computer), o desprezava, mas como eu afirmei, é um álbum incrível que tem toda a vitalidade de uma banda no seu auge, e estamos falando do sétimo trabalho da banda, já bem veterana, portanto.
Hoje retomo a discussão sobre o In Rainbows trazendo como trilha a música bem ritmada, meio “deprê-alegre”, meio "não sei se danço ou choro", RECKONER. Certo dia em um fórum, um rapaz chamado Carlos Farias complementou muito bem minha ideia do álbum. Disse que teve a impressão de um Radiohead muito a vontade para criar o álbum, aonde as composições são muito orgânicas e tem suas influências bem deglutidas (citou soul, música africana), além de não ter partes específicas de rock ou de eletrônico, ou seja o que for, é simplesmente Radiohead.

Vejo que Reckoner ilustra perfeitamente isso. "Não sei se danço ou choro" pode ser vista como uma brincadeira minha, mas é uma sensação que a canção realmente causa. O baixo leva a música para um lado mais dançante enquanto o vocalista traz uma lamentação na voz, principalmente quando a marcante percussão dá uma pausa e Thom Yorke sussurra sua fala enquanto segundas vozes falam um quase imperceptível "In Rainbows" ao fundo, no clímax da música. A música não é rock, não é dubstep, não é jazz, não é rotulável. É Radiohead.

O desafio do dia é conseguir ouvir as segundas vozes fazendo um coro dizendo "In Rainbows" na parte que eu disse. Eu demorei um pouco pra ouvir. Uns dois anos, talvez.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Radiohead - No Surprises


No alarms. No surprises. Please.

Já faz um ano mais ou menos que eu escrevi sobre Karma Police do Radiohead, e disparadamente foi o texto que mais rendeu visitas ao blog. Segundo o Google Analytics, foram aproximadamente 490 visitas vindas do google por palavras chaves como "interpretação Karma Police", "comentários acerca de Karma Police", "karma police crítica". Isso me deixa um pouco tenso para falar de novo sobre as composições de Thom Yorke e sua banda, criou-se uma responsabilidade, ainda mais se eu for falar de um outro clássico da banda, a linda NO SURPRISES.
O que dizer sobre uma música onde a primeira frase é "Um coração que se encheu como um aterro sanitário"? Impactante? Bem, como já dito no blog, o album OK COMPUTER surgiu no cenário da música para impactar mesmo, para destruir os poderosos, para chocar os submissos. Eu não sei qual é a relação das pessoas ao ouvir uma frase desse tipo, mas será que ninguém se mobiliza para rever aonde está levando a sua vida? Seu coração está se enchendo de amor (o necessário) ou de lixo - como um aterro sanitário?
"Um trabalho que te mata lentamente", "Um machucado que nunca cicatriza", "Um aperto de mão no monóxido de carbono". Essas frases são apenas exemplos do que corre dentro da canção, e todas elas tentam lutar contra uma só situação: o conformismo. E seguindo o conceito do album, um conformismo com as atitudes do governo, é claro. Nessa canção é até dito claramente "Derrube o governo, eles não falam pela gente!", algo até inesperado de uma banda repleta de simbolismos e metáforas. O que o governo pede está no refrão da canção, a famosa frase "Sem alarmes e sem surpresas, por favor", e obedientemente, a população dá a sua resposta: "Silêncio. Silêncio." A vida é um caos, existem pessoas pisando na gente, mas estamos conformados. Silêncio.

Essa análise pode até parecer agressiva, mas no fundo, é isso o que o Radiohead nos propoem. E mais do que isso, dentro da arte musical. Para demonstrar agressividade eles não precisam de guitarras destruidoras, de visuais revoltados, de uma música barulhenta. Se você ouvir No Surprises vai se deparar com uma melodia calma, com toques que se assemelham a uma canção de ninar, um embalo relaxante e um piano sedativo (quem disser que nunca ouviu o riff de piano dessa música deve estar enganado, aliás). E essa calmaria dentro da canção misturada a sua letra caótica inverte os sentidos, inverte os signos, inverte nossa cabeça. Afinal, No Surprises mostra que a calmaria não vem depois da tempestade, pois vivemos em um mundo onde tentamos ficar calmos durante a tempestade.

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*um feliz ano novo para todos! :)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Radiohead - Creep


O que dizer de uma música que foi censurada nas rádios por ser depressiva demais?

Vamos pensar... ou a música é muito ruim e usaram a essência fossa dela como desculpa para dizer às produtoras "sua música não entra aqui", ou as rádios eram simplesmente insanas de barrarem músicas boas sob esse pretexto tosco de depressão! Minha opinião? Loucas, insanas, acéfalas! Como pode uma rádio simplesmente recusar ninguém menos que RADIOHEAD, hein?
Ok, eu posso estar me exaltando um pouco. Claro que se você acompanha meu blog, ou se você deu uma olhada no menuzinho ao lado chamado "marcadores", percebeu que eu sou um pouco viciado em Radiohead, rs. Os mais atenciosos notaram no título que estamos falando da música CREEP, e quem conhece sabe que esse foi o primeiro single da banda. Por fim, quem conhece Thom Yorke e suas composições sabe que chamar algumas músicas de Radiohead de depressiva demais é até eufemismo... Então, talvez as rádios nem tenham sido tão loucas ao recusar Creep em suas programações, mas se perguntarem nas ruas, eu nunca assumi isso, tá bom?
Afinal, sou daqueles que considero Creep uma obra prima! Quem prestou atenção no que eu disse ali em cima já sabe que foi o primeiro sucesso da banda, e Deus sabe se existiria Radiohead hoje caso Creep não tivesse se tornado um hit... Um hit para os perdedores, claro! Imagine a cena, pessoas de diversos lugares do mundo levam um pé-na-bunda da pessoa amada. Todos se reúnem, cabisbaixos e deprimidos, em um grande saguão, entoando em um único coro o refrão de Creep, que iremos ver na tradução abaixo:
[SAP]"Você é tão especial*, eu só queria ter sido especial... mas eu sou um verme, um estranho, que $@#&# eu to fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar".[/SAP]
Brincadeiras à parte, embora eu tenha estereotipado a música como um hit para losers, não preciso dizer que há uma beleza nela que só encontramos em canções de Thom Yorke, não é mesmo? Independente de você ter levado um pé, é uma excelente música para se ouvir sozinho em seu quarto, se você gosta de algo desse estilo, claro... E agora pasmem, os arranhões super animais de guitarra que são dados antes do refrão (e tornam essa parte bem agressiva) foram uma tentativa do guitarrista Johnny Greenwood de estragar a música, que ele não curtia muito! Só que todo mundo gostou, e agora é uma das marcas registradas de Creep! LoL
Bom, queridões, eu não sou um verme, não sou um estranho, mas como diz a letra, vocês são todos especiais para mim, por lerem meu blog! (nhó). Até a próxima música, folks, prometo dosar vocês com menos Radiohead nos próximos posts! :)

*na versão da rádio o trecho foi alterado para "you're so very special", enquanto na versão original temos "you're so fucking special" \m/

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Radiohead - Karma Police


Ainda me lembro daquele dia, no colegial, quando a professora de inglês pediu para que cada um dos alunos escolhesse uma música, na qual iríamos passar as próximas aulas ouvindo e analisando a letra. Eu, que estava louco para exibir meu OK COMPUTER do RADIOHEAD, escolhi a sexta faixa do álbum, a linda KARMA POLICE. Em casa fui fazer um relatório sobre a letra para entregar na próxima aula. Li a e reli algumas vezes a letra, e a única coisa que consegui pensar na hora é que ter escolhido essa música tinha sido um dos piores erros de minha vida escolar.
Enquanto todos os alunos teriam escolhido letras que transmitiam uma mensagem simples (como, por exemplo, “I will always love you”), eu estava imerso em diversas metáforas e pensamentos complexos encaixados perfeitamente em uma melodia por Thom Yorke e sua turma. Sim, eu dificultei minha própria nota.
Era uma questão de pesquisa, um olhar filosófico e um pouco de viagem para tentar se aproximar da proposta do Radiohead com Karma Police.
Comecei pesquisando sobre o álbum em si, o Ok Computer. Qualquer fã do Radiohead sabe o valor que esse álbum tem, e mesmo quem não gosta da banda, reconhece a importância desse álbum para a indústria musical. Sempre fui viciado nas músicas do mesmo, mas nunca tinha parado para analisá-lo como conjunto: metáforas, criticas, questionamentos, genialidade. Ok Computer coloca o capitalismo na cruz e não economiza pedras para detoná-lo, tudo com a sutileza dos teclados, do violão e da voz de Thom Yorke.
Quanto à música em si, encontrei diversas entrevistas que poderiam ajudar a “desvendá-la”. Na primeira, por Thom Yorke, era dito que Karma Police criticava as corporações. Há sentido, certo momento da letra o eu lírico critica seu chefe, talvez representante da corporação. Em uma entrevista com todos da banda, disseram que era só mais uma crítica ao capitalismo, como em todo o álbum (sabe aquela resposta que a banda dá quando está de saco cheio de perguntas? Então). Por fim, a mais divertida veio por Jonny Greenwood, guitarrista da banda, que disse que a música simbolizava a insanidade, tudo era uma metáfora da loucura, por isso nada fazia sentido na letra. Não deve estar nem perto do que eles realmente pensaram, mas não deixa de ter sido uma análise engraçadinha.
Interessante também é o nome da música. Polícia do carma é praticamente uma piada interna da banda, quando um integrante fazia algo errado, outros brincavam que essa tal polícia iria pegá-lo. Bacana, porém, não consigo imaginar ThomYorke se divertindo com seus companheiros entre piadas no estúdio.
Levei a análise insana da música, reunindo todas essas pesquisas e falando da beleza depressiva da melodia. Como o esperado, todos levaram letras fáceis e por isso, fui o único elogiado pela análise, que gerou um grande debate e uma boa nota para mim. No final, notei que ter escolhido Karma Police me fez aprofundar no Ok Computer, além de conhecer muito mais sobre a música que eu já ouvia há muito tempo, e de sobra levei uma grande nota para a casa. Não, não foi um dos piores erros que já cometi, e sim um acerto tão grande quanto ouvir Radiohead.

veja também sobre radiohead:
- Nude
- All I Need

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Radiohead - All I Need



Falar de amor. Quase toda banda sempre fala de amor. Parece impossível a um músico compor sem citar o amor. Deve ser porque este é o sentimento mais forte que alguém pode sentir, e tal como cada pessoa tem seu modo de expressar o amor, cada banda tem seu jeito de criar baladas românticas.
Já falei de Radiohead antes no artigo sobre a música Nude, no entanto em um fórum da banda onde eu tinha divulgado o texto contestaram o fato de a música ter sido feita há dez anos e eu estar usando-a como prova de que a banda continua proporcionando obras de arte como seu último álbum. Portanto esse artigo fala de uma música legitimamente feita para In Rainbows, ALL I NEED, que por sua vez fala desse assunto saturado para alguns, mas uma fonte interminável de inspiração para outros, o amor.
As baladas românticas, músicas lentas que conquistam popularidade com mais facilidade, variam entre cada banda e não tem uma fórmula que possam defini-la. Uma baladinha de Bryan Adams, por exemplo, é totalmente diferente daquela feita por Radiohead. All I Need pode ilustrar bem esse estilo da banda inglesa de Thom Yorke: as guitarras cumprem um papel de criar um clima pesado e desesperançoso à música, o baixo traz beleza a esta, enquanto a letra diz “você é tudo que eu preciso” de uma forma um tanto depressiva, considerando que se constrói sobre frases como “eu sou todos os dias que você escolhe ignorar”.
Para o final da música temos a ascensão do piano, oculto nas primeiras partes pelos outros instrumentos, mas que aparece para dar outra vida à música, trazer um clima de esperança enquanto a letra finaliza com um aparente contraste que se repete: “Está tudo errado, está tudo certo, está tudo errado...” e assim por diante. Como em todo In Rainbows, a carga metafórica da música é tão alta quanto sua beleza.
Baladas românticas sempre existiram e sempre irão existir para agradar a todos apaixonados e que adoram uma música mais calma. Até mesmo as bandas que fogem do tema “amor”, não escapam de produzir uma baladinha para trazer força ao álbum. E como cada banda produz música de seu jeito, All I Need reforça o estilo de Radiohead para falar de amor. Quando perguntado para um amigo meu o que ele achava dessa música, respondeu de primeira: “meio fraca, esse romantismo está mais para Coldplay”. Eu discordo; afirmo que ela tem um trabalho excepcional na interação entre os instrumentos, traz muita força para In Rainbows, e como cada artista tem seu estilo de fazer baladas, posso duvidar que Chris Martin crie músicas com a letra e a carga angustiante de All I Need, típica de Radiohead.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Radiohead - Nude



Radiohead é uma banda que causa controvérsias no mundo da música. Para alguns, é de longe a melhor banda das duas últimas décadas, possui o melhor rock alternativo já feito, e aos mais exagerados, uma das únicas bandas que prestam na atualidade. Para outros a opinião caminha do lado oposto, afirmam que Radiohead é endeusado pela mídia e superestimado por fãs. Opiniões e gosto musicais são discutíveis, mas fatos não. A verdade é que Radiohead – a banda inglesa formada em 1988 sob o nome de “On A Friday” – conquistou milhões de fãs pelo mundo e por onde passa deixa estádios lotados para apreciar sua música.
Em 2007 a banda chegou ao seu sétimo álbum, intitulado de IN RAINBOWS, e se Radiohead divide opiniões entre os admiradores e críticos, “In Rainbows” dividiu opiniões entre os próprios fãs da banda. Enquanto alguns preferem ignorar o álbum sob o pretexto que produzi-lo foi o maior erro cometido pela banda em toda sua carreira, temos inúmeros fãs que dão total apoio ao álbum, para os quais não faltam elogios para descrevê-lo.
Se perguntarem minha opinião sobre esta discussão sou direto: In Rainbows é um dos melhores álbuns produzidos pelo Radiohead. Não é necessário ser um gênio da música para saber que é raro uma banda chegar ao seu sétimo álbum com tanta força e tantas músicas boas quanto os álbuns que a consagraram no auge. No caso de Radiohead, tentam comparar In Rainbows com álbuns fantásticos como “Ok Computer” e “Kid A”, produzidos em 1997 e 2000 respectivamente. Se por um lado In Rainbows não consegue superar seus antecessores, consegue trazer músicas lindas e experimentais com o tempero depressivo que sempre foi uma identidade do Radiohead, como a canção NUDE.
Embora a música supracitada tenha sido tocada ao vivo a primeira vez em 1997, foi aprimorada e selecionada para um álbum apenas dez anos depois, sendo o single mais ouvido de In Rainbows, e o mais aclamado pela crítica. Nude tem um perfeito tom melancólico, com uma carga bem depressiva que pode não agradar àqueles acostumados a canções felizes, mas que afeta o emocional de qualquer ouvinte. O baixo da música é um show à parte; tente ouvir Nude deixando o baixo em primeiro plano e os falsetes do vocalista Thom Yorke em segundo e você notará o poder da música que está entrando em seus ouvidos.
Nude é apenas uma amostra do que o In Rainbows oferece. A canção que diz “não tenha grandes idéias, elas não irão acontecer” é um aperitivo para qualquer um se deliciar com este álbum da banda inglesa, que pode não ser a maior das últimas décadas nem uma banda qualquer superestimada por fãs, mas que no mínimo tem competência para chegar ao sétimo álbum com a vitalidade de uma banda em seu auge.