sábado, 22 de maio de 2010

Death Cab for Cutie - A Lack of Color


Diretamente da máfia de músicas feitas para se relaxar - onde já lhes apresentei canções de Say Hi to Your Mom e Coldplay - largo na mão de vocês DEATH CAB FOR CUTIE e uma de suas obras-primas: A LACK OF COLOR.
Descrever essa canção é tão difícil quanto descrever a banda Death Cab. Os rótulos carimbam: "Indie Rock". Ok. Mas e quanto à sonoridade e o sentimentalismo imposto nas produções da banda? Guitarras e riffs assombrosos ou um violão folk? Um ritmo barulhento de shoegaze ou um tecladinho bacana de piano-rock? As pessoas tem a necessidade de falar em gêneros ou classificações para apresentar uma banda para alguém, e isso pode até funcionar em muitos casos, mas não com Death Cab for Cutie.
Um dia a revista Rolling Stone disse sobre o som deles: "[produzem] canções melancólicas sobre um sentimento simultaneamente inteligente e confuso, totalmente romântico, mas tratando o amor com cautela". E então podemos ter a ideia de que estamos falando de um som complexo e até paradoxal. Afinal, alguém que é romântico deveria estar totalmente entregue ao amor, não agindo com cautela, certo?
Vamos brincar então sobre a música A Lack of Color. Dê um play no vídeo pra acompanhar. Primeiro, notamos que o nome da canção é "Uma Falta de Cor", mas logo ao ouvir o começo da música, é como se diversas cores estivessem pulando na sua cabeça, não algo psicodélico e alucinante, mas cores de uma aquarela, cores pinceladas em uma paisagem bonita aleatória. Agora, se você pegar a melodia separada da letra, é óbvio que você imaginaria algo romântico que você enviaria para sua namorada... não é? Vai lá ver a tradução então, vai! É algo que você se deprime só de ler. "Suplico para você voltar para casa, mas sei que é tarde demais, eu deveria ter te dado um motivo para ficar". Por fim, o que eu julgo mais chamativo da canção, ainda nesse campo de paradoxos, é perceber que é uma música muito forte (que fecha uma atmosfera ao nosso redor), e paralelamente consegue ser totalmente relaxante! Enquanto teoricamente seria uma música que sufoca e incomoda, acaba entrando para nossa máfia do relaxamento, citada no primeiro parágrafo. :D
Então talvez o segredo para falar em Death Cab for Cutie não seja citar gêneros e classes musicais, mas sim descrevê-la através dos sentimentos despertados na gente ao ouvir uma canção deles. Ajude, portanto, a definir Death Cab. Quais sentimentos A Lack of Color despertou em você?

ps: post dedicado à Rúvila, fã nº1 de Death Cab e - não menos importante - minha namorada linda :)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

The Kooks - Sway


Depois de passar por algumas músicas experimentais, músicas atmosféricas e músicas alienígenas, voltamos à nossa programação normal, com um sonzinho indie básico - e bem romântico, diga-se de passagem - pra envolver um pouco mais os apaixonados e a galera mais sensível que acompanha o blog.
E quando eu penso em algo indie-básico, logo brota um The Kooks na minha cabeça. Serei bem sincero ao dizer que não é do feitio deles produzir baladinhas e canções mais calmas no geral. Salvo alguns "GAP" da vida, podemos claramente notar que a pegada deles é algo mais folk e alegre. No entanto, quando eles resolvem mandar uma música romântica você tem que se preparar... eles são monstruosos!
SWAY é o tipo de canção que faz com que você diga "esses caras são ótimos" sem precisar ouvir outras produções da banda. É claro que pra quem ama esse universo musical, é até um pecado julgar uma banda por uma única faixa, seja ela ruim ou excelente (como no caso de Sway). Porém, é um mérito e tanto para o artista ter uma canção que instigue a curiosidade de quem a ouve, com a finalidade que busquem mais material da banda.
E esse é meu objetivo nesse post de hoje. Deixá-los curiosos e sedentos por mais material do The Kooks, pois vale muito a pena!
Preenchendo a cota básica do post, vamos para aquele momento onde eu tento descrever o som pra vocês, ou o que me encanta nele. A letra é simples, mas naquele estilo que gruda; você pode passar um bom tempo da sua vida com o refrão na cabeça "cause I need your sway, because you always pay for it", principalmente com os "and I, and I..." do senhor Luke Pritchard, o vocalista feio da banda. Mas, de longe, o melhor da música está no solo de guitarra. Li em algum lugar, talvez no encarte do album KONK deles, que Hugh disse que estava em um momento de inspiração excepcional no momento que criou aquele solo. E qualquer admirador da boa música há de concordar que ele provavelmente estava vivendo esse momento mesmo, pois ele criou um clima épico com a guitarra. Preciso lembrar que não é um solo pesado, se por acaso alguém relacionou as palavras "excepcional" e "épico" com aqueles bons solos de metais. Não. Pois um solo de guitarra pode ser algo mais calmo e muito bonito também, que te envolve, que te transporta, que arrepia qualquer um.
Ficou curioso para ouvir mais canções do The Kooks? Espero que sim, assim posso dizer que meu objetivo foi cumprido :)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sigur Rós - Svefn-g-Englar


Alô pessoal, como estão? Espero que bem.
Há alguns posts atrás falei sobre a fantástica banda Sigur Rós, e falei com um pé atrás, supondo que poucos entenderiam a proposta dos músicos islandeses, e que dessa forma seria um post pouco aprovado por vocês, leitores bacanas do meu humilde blog.
No entanto, fui surpreendido; uma pancada de comentários amigáveis e interessantes surgiram, que além de me deixar contente, acabou por me trazer a ideia de comentar alguns comentários.
ANH? Comentar os comentários?
Isso mesmo. Não todos, é claro. Mas aqueles que sem dúvida enriqueceram a ideia de divulgação do post. Então vamos lá.
O Matheus Rego, que tem um interessantíssimo blog sobre filmes (http://boitedufilm.blogspot.com/), fez o favor de me lembrar através de um post dele que Sigur Rós possui um filme [um documentário na verdade] chamado Heima, relatando sobre a tour dos Islandeses em 2006. Claro que o filme é super artístico e tem a trilha inteira produzida pelo Sigur Rós, e para quem gostar da banda, não tenha dúvida que você deva correr atrás desse filme (estou correndo até hoje, kkk).
A senhorita Rúvila, uma moça muito bonita (ainda vou casar com ela, podem ter certeza), dona do blog http://minidesastres.blogspot.com/, lembrou-me que um dia aleatório eu disse para ela que Jonsi, vocalista do Sigur Rós, utiliza sua voz como um instrumento musical, já que de certa forma, está mais preocupado com a sonoridade que seus agudos podem criar, e com a harmonia que sua voz terá com o resto da canção, do que com a letra em si, que deixa como livre interpretação para seus ouvintes. Bem lembrado, mocinha! :)
O nosso amigo que atende pelo pseudônimo de Pobre Esponja (do http://pobresponja.blogspot.com/) não gostou da definição de "estranho" que dei ao Sigur Rós, acrescentando comicamente que estranho são as músicas da Ivete Sangalo, e essas coisas que ouvimos por aqui. Tudo bem, se assim preferirem, vamos chamar Jonsi e seus colegas de excêntricos, porque você irá concordar que eles não são nada convencionais, sim?
Por fim, quero deixar duas frases citadas nos comentários que achei excelentes e complementares ao post.

Da moça-poetisa Niemi (http://universo-in-verso.blogspot.com/): "A arte está na beleza daquilo que não está tão evidente..."

Do sempre sensacional em seus comentários, Italo Richard (www.todososouvidos.blogspot.com): "Gosto de tudo que busca originalidade, sem soar pretensioso e forçado. Sigur Rós me transmitiu essa sensação,e o fato do vocalista ter criado sua própria língua faz com que se crie um mundo a parte (que não é possível a todos), o que é, para mim, totalmente original. Até porque algumas coisas são feitas não para serem entendidas, mas para sentir! E eu senti boas vibrações ao som do Sigur Rós."

Depois de todo esse papo sobre Sigur Rós, deixo minha música preferida deles com vocês. São dez minutos de músicas, mas da última vez que coloquei um vídeo grande assim, ninguém reclamou, até chegaram a apoiar! E sei que quem quiser conferir mais da banda ouvirá pelo menos um trecho de SVEFN-G-ENGLAR, melancólica, bonita, excêntrica (rs), sensacional. Beijos. =*

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Thirteen Senses - Gone


Dizem que eu sou fissurado por uma música deprê. É, dizem mesmo! Falam que alguém como eu, que ouve Radiohead demais, só pode ser uma pessoa triste!
Dizem também que eu só curto músicas fossas e sentimentais, que é algo emo de minha parte, e dizem mais uma porção de coisas...
As pessoas devem dizer bastante sobre você também, mas você de fato se importa? Tudo o que dizem de ti é verdade?

Depois de uma introdução quase intimidadora, venho por meio deste post dizer que NÃO, eu não somente curto músicas fossas, eu não sou emo, eu não sou triste! Eu sou bobo-alegre até demais, queridão! Mas eu posso confessar algo... talvez eu seja, realmente, fissurado por algumas musiquetas deprês! :D
Só isso pode explicar o quanto me apaixonei pela derrubadora de almas "GONE", canção da linda e maravilhosa banda THIRTEEN SENSES. Já falei de algumas bandas desconhecidinhas aqui, aliás foi tema de meu primeiro post no blog com os adoráveis músicos da banda Athlete. Então já sabem a regra, ser desconhecido não quer dizer nada, vejo Thirteen Senses com uma competência incrível, bem melhor do que muita banda bem reconhecida e famosa que vaga por aí. Portanto, sem preconceitos com o quase anônimato da banda (que lançou um terceiro álbum esse ano e não fez barulho nem em sites super indies :/), ouçam Gone sem discriminação alguma, ok? rs
Gone tem três coisitas que fizeram eu amá-la, e trazê-la a vocês aqui no blog:

- o violão
- a guitarra
- a voz de Will South

O violão é lindo demais, os caras encontraram uma combinação de acordes perfeitas, que por pura desgraça (leia-se 'pelo fato da banda ser desconhecida') não encontro as cifras da canção em site nenhum, e como [ainda] sou incompetente do ouvido, não consigo nem brincar de tocar Gone em casa! :/ Quanto à guitarra, tem um riff dela no refrão que, putz, é uma delícia de ser ouvido enquanto a voz de Will canta. Prestem atenção nesse refrão, é uma delícia de ser ouvido com fones :). Ah, e por falar da voz do Will, só digo uma coisa, se é pra ser um homem com voz fina, tenha uma parecida com a dele, pois traz uma intensidade e emoção à canção que é indescritível.
A letra fala sobre alguém que tenta superar algo, e todas as vezes que ele olha para para uma certa pessoa, a chama de seus olhos se apagaram. Some isso à triste melodia, ao violão, à guitarra e à voz de Will, e você terá não somente uma triste canção, mas uma belíssima música para te acompanhar em dias nublados.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Lostprophets - Sway



Noite.
Um lugar deserto, cercado de árvores, um céu estrelado.
Um anjo com asas negras te encarando de um lugar um pouco distante de ti.
Está ventando, faz frio. Algo está se mexendo dentre o mato e estranhas luzes aparecem no céu.


Mas o quê? O dono do blog está sob o efeito de drogas, sim? Não! Esse é o efeito que uma música atmosférica como SWAY, da banda LOSTPROPHETS causa em mim. Eu gosto mesmo dessa tal classificação de música como sendo "atmosférica". Já falei disso aqui antes? Então estou falando agora! Atmosférico pra mim são todas aquelas canções capazes de te transportar para outra dimensão, de criar uma história na sua mente logo nos primeiros segundos de melodia, capazes de te dopar por dois, três, ou quase dez minutos (como no caso de Sway).
Sim, são nove minutos de música! Mas eu não estou imaginando que vocês irão dar play no vídeo (desde que descobri que nem minha namorada ouve as músicas, desencantei dessa ideia), no entanto, veja bem queridão, aqui é um lugar de recomendações, e se você se interessou pela ideia de uma música que traga esse conceito de viagem atmosférica, não importa o tempo da música, você irá ouvi-la conforme seu interesse! O que posso garantir é que o som desses caras é bom! Lostprophets é uma banda com um rock mais pesado, que se formou a partir de um projeto paralelo, e hoje já traz um repertório excelente de canções para quem curte guitarras mais agressivas e refrões que se instalam na sua mente por tempo indeterminado.
Sway é uma música experimental da banda (portanto, um pouco diferente do que eles normalmente produzem), que se divide em duas partes, onde a segunda é apenas instrumental, sendo por acaso a parte mais propícia a causar o efeito citado no começo do post. Aliás, se não quiser ouvir a música inteira, coloque apenas em um dos trechos da parte final e terá ideia do que estou falando!
Mas se você quiser ouvir inteira, dê um play, minimize o blog, continue fazendo qualquer outra coisa bacana que você sempre faz na net, e relaxe... serão dez minutos de pura viagem junto com os profetas perdidos!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sigur Rós - Gong


ALERTA: Este post contém uma música estranha, de uma banda estranha, e pode ser totalmente diferente de tudo que você já ouviu. Se você gostar da música, você é estranho. E diferente.

Evitei entrar com Sigur Rós aqui. Juro que evitei. Mas não tem jeito, seguindo a minha missão de disseminar boas músicas alternativas do cenário internacional, teria que passar por esse momento, divulgar-lhes o que pode não agradar a todos. Sim, caro leitor, tenho plena consciência que não é todo mundo que se identifica com o som de Sigur Rós, e diferente de bandas como Say Hi To Your Mom, onde garanti que a maioria iria se amarrar no som, sei que dessa vez são poucos que podem virar fãs dos islandeses aqui apresentados... Mas visando a possibilidade que esse pouco que curtir pode se apaixonar pela banda, eu sigo com esse humilde post.
Você se pergunta: O que eles tem de diferente de outras bandas? Bom... um dia li uma descrição sobre Sigur Rós que dizia que suas músicas parecem ter vindo de outro planeta. E é essa a descrição que levo a sério. Sigur Rós é algo um tanto extra-terrestre, primeiro porque é uma banda de post-rock, e quem alguma vez já ouviu um som de post-rock, sabe o quanto suas guitarras distorcidas e seus sons melódicos são diferentes do usual.
Segundo - e o mais inusitado - porque o vocalista Jonsi decidiu que sua língua natal (e nenhuma outra pelo mundo) expressava bem o suficiente o que ele queria passar em suas músicas. Nada parecia se encaixar com suas melodias, portanto, criou sua própria língua. Simples, não? O "Vonlenska" (algo como "Hopelandês" em português) é uma língua que supre a necessidade melódica das músicas e não tem uma tradução necessariamente. Você acha bizarro? Eu acho genial!
Por fim, Jonsi é dono de um dos melhores falsetes do mundo da música, e se você não sabe o que é isso, tente imaginar um homem cantando com uma voz fina, sem tornar isso patético ou ridículo, pelo contrário, tornando isso bonito e inspirador. Melhor do que tentar imaginar, dê um play no vídeo e ouça GONG, entendendo assim tudo isso que estou tentando te falar até agora!
Sigur Rós é para se ouvir em dias nublados e enquanto admira uma bela paisagem. Sigur Rós é a tradução de melancolia, misturado com uma estranha alegria. Sigur Rós chega a ser metalinguístico, eles fazem arte dentro da arte! Se você gosta dessa banda, você é estranho e diferente, mas quem afinal disse que isso é ruim?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

The Radio Dept. - I'ts Personal


Estou chegando aproximadamente no décimo quinto post do blog e noto que, veja que blasfêmia, não falei sobre nenhuma música instrumental ainda! :O

Vejo (ou melhor, ouço) a música instrumental como poesia pura: você tem o poder de dar a ela o significado que bem entender; mesmo que o autor tenha pensado em fogo, você pode ouvi-la como água! Às vezes as músicas instrumentais são mais sentimentalistas que músicas com letra... Elas permitem que você preste atenção em cada instrumento, em cada acorde, em cada troca de nota de um teclado, e com isso permitem que você se entregue com mais emoção ao som.
Músicas instrumentais são perfeitas para uma trilha sonora, não necessariamente de um filme, mas quem sabe a SUA trilha sonora. Sabe quando você está com seu mp3 voltando pra casa, o tempo escurece, a chuva começa a cair pesada, e você nota que está sem guarda chuva? Você pode se esconder na lanchonete do tio juca ou muito melhor, pode correr pela chuva que nem louco enquanto aumenta o volume da música que está ouvindo até o máximo, ignorando a gripe que irá contrair, mas aproveitando ao máximo seu momento cinematográfico! E é nessa hora que a música instrumental se mostra perfeita... é a hora que você sente a liberdade que a canção te dá por não ter uma letra. Não importa com qual intenção ela foi feita, aquela música significa sair correndo insanamente na chuva!
Para representar toda essa sociedade de músicas instrumentais, apresento-lhes THE RADIO DEPT.! Não é uma daquelas bandas que só produz canções sem vocal, e sim uma banda de shoegaze (pra quem conhece, do mesmo estilo de 'My Bloody Valentine' e 'The Jesus and Mary Chain'). Escolhi a música IT'S PERSONAL que é, por acaso, minha música instrumental favorita, e claro que não tentarei dizer o significado que vejo nela pra mim, para permitir a vocês, queridões, tirarem o seu próprio significado dela. :)
Sinta o clima da canção, sinta como cada instrumento e cada melodia entram em um determinado momento da música, sinta a composição final, deixe-se levar por Radio Dept. e toda a magia das canções instrumentais, um dia It's Personal pode ser a trilha de algum momento inesquecível de sua vida!